Thursday, October 28, 2004

descobri minha alma gêmea: leo jaime

Muito quente. Dias lindos, o céu azul, tranquilidade no plano, quase sem edfícios e eu sinto aquela nostalgia triste das tardes vazias. É sempre assim. Precisei retratar isso na letra de A vida não presta. Essa monotonia bela, essa beleza triste, esse desperdício de beleza e desejo que há nestas tardes que podiam ser felizes.Acho que é porque nasci em uma cidade dessas. MInha infância era repleta de dias assim. Belos e inúteis. A adolescência foi, a um só tempo, a descoberta do amor e da infinitude de dor que ele viria a causarAntes de descobrir o amor, conheci a falta que ele fazia. Não sabia ainda quais eram os encantos de amar e ser amado mas sabia muito bem o que era a dor da rejeição, de estar iludido, de não servir, de querer muito profundamente algo que não se sabe bem o que é, de querer ver transbordando um rio que já nasceu seco.A minha adolescência, se coubesse em um retrato, seria a dessas tardes de domingo em que eu passo a sofrer, sonhando em ter um carro conversível pra você me querer. Ah, se eu fosse mais velho, mais bonito, mais rico, mais interessante, mais forte, mais sábio, ah se eu merecesse o amor que eu sinto e quero dar a alguém. Acho que era isso. Homens que começaram a ler esse post já desistiram antes dessa linha. Mulheres também vão pensar que os homens é que escolhem, que isso o que eu sentia deve ser um pouco de doença. todo mundo é meio doente do amor, doente do coração, doente por sentir dor e, àss vezes, a dor das lágrimas choradas por ninguém.Era esse o sentimento que me corroía nas tardes de sol silenciosas em que eu percebia que as noites de sábado e sexta com suas promessas haviam passado e eu não tinha conseguido vislumbrar a possibilidade ou o obmeto do meu amor. querm seria ela? Será que alguém que pudesse ser interessante, será que uma menina desejável e meiga, amorosa, viria a gostar de mim um dia? Era essa a dúvida. Era essa a saudade profunda do que eu não conhecia. Era essa a menina a que ocupava o meu pensamento: a que eu não sabia se existia. Se existiria.Há quem conte vantagens. Quem sempre tenha sido bem sucedido e conseguito tudo o que queria. Há quem serja discreto e nunca frevele a possibilidade de, algum dia, ter desejado mais do que conseguiu. Há todo tipo de gente e todo tipo de sentimento. Eu escrevia. Esses sentiimentos eram importantes para mim pois eu os achava esquisitos e não parecia haver alguém com quem eu pudesse falar sobre eles. Eu os escrevia. Talvez como quem registra um diário da própria loucura. sofrendo por quê, em nome de Deus? Escrevia com se fosse o João da ffábula, a jogar pedaços de pão pelo caminho, para poder reconhecer o caminho de volta.MInhas paixões foram violentas. AS minhas paixões juvenis. As platônicas. As não correspondidas. Até o dia em que pela primeira vez eu consegui um orgasmo olhando nos olhos da menina que eu amava, a'té o dia em que percebi ser motivo de desejo e carinho, até esse dia, o amor era um inferno que queimava inutilmente no meu peito. E as tardes vazias e quentes, quase sem vento, em que meu pensamento não conseguia um oásis para se refrescar, nesses dias eu descobri a minha capacidade de amar. E a minha necessidade de amar. Tudo. Qualquer coisa. amar para não ter que guardar esse sentimento sufocante no meu próprio peito. Aprendi desde cedo que amar não é desejar muito alguém. Não é precisar muito de alguém e nem, sequer, ter muito prazer na companhia de alguém. amar é ter esse fogo, essa chama, esse calor, essa vontade de se entregar incondicionalmente a algo que faça a vida ter sentido. Oferecer sua vida e seu corpo a alguém que o aceite. que o mereça. Amar é oferecer. E ter, nessa oferta, um sentido para a própria vida.E ter alguém a quem fazer feliz nestas tardes lindas. Para que sejam de verdade lindas. Tem que haver alguém. Alguém que aceite nosso amor,

1 Comments:

Anonymous Anonymous said...

MUITO, MUITO BACANA! BEIJÃO!

2:18 PM

 

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